Existem várias formas de demonstrar amor, não sei se existe um jeito certo. Certas demonstrações gritam, reluzem, aparecem, são notáveis, outras não. São exatamente essas que me encantam.
Quando o amor é simples o suficiente que chega a passar despercebido, que muitas vezes a pessoa amada pode sequer reparar, ou que só chega a notar quando por algum motivo a pessoa que nos amava vai embora. Minha Avó tem essa habilidade, eu sempre ando descalço em casa, e todos os dias quando eu acordo, tem um chinelo na porta pra eu calçar, ela nunca falou disso, nunca falou que isso era um gesto de amor, de tão simples as vezes passo literalmente por cima e deixo o chinelo pra trás, era pra eu não pisar no chão gelado. É o tipo de amor que me encanta, despretensioso, que exige um pouco de quem recebe, um pouco de atenção, um pouco de “olha o que essa pessoa fez por mim”. Há quem goste de uma caixa de chocolates, eu prefiro chinelo na porta (uma representação do amor “escondido), há quem goste dos dois, o que importa é que não vivamos sem amor. E talvez amor seja isso, demonstrar afeição em pequenos gestos. Fazer-se presente mesmo na correria dos dias, estar perto mesmo quando se está longe. Ouvir, não julgar, acolher, ser abrigo.